Capítulo 12 Teste de Hipóteses e Poder do Teste
Objetivos do capítulo
- Compreender a lógica dos testes de hipótese
- Formular hipóteses nula e alternativa
- Calcular e interpretar o p-valor
- Entender erros do tipo I e tipo II
- Calcular o poder de um teste
- Conhecer as críticas ao uso mecânico de p-valores
- Conectar o resultado formal do teste com a narrativa do paper
12.2 Hipótese nula e alternativa
12.2.1 A nula no teste versus a alternativa no paper
Um ponto que gera confusão recorrente: o teste de hipóteses é formulado em termos da hipótese nula (\(H_0\): “não há efeito”), mas papers são escritos em torno da hipótese alternativa (“proponho que X causa Y”). Essa assimetria é intencional — o teste é conservador por design, exigindo evidência forte para rejeitar o status quo.
Na prática, isso significa que: (1) rejeitar \(H_0\) dá suporte à narrativa do paper, mas não prova a teoria — apenas mostra que os dados são inconsistentes com “nenhum efeito”; (2) não rejeitar \(H_0\) não significa que a teoria está errada — pode significar que a amostra é pequena demais (baixo poder) ou que o efeito é menor do que o esperado; (3) a força do argumento no paper vem menos do p-valor isolado e mais da capacidade de descartar explicações alternativas (ver Capítulo 5, seção 5.4).
Este ponto será retomado com mais detalhe no capítulo sobre redação acadêmica. Aqui o importante é entender a mecânica: o teste opera sobre a nula, mas o pesquisador pensa sobre a alternativa.